
Vagueava, sozinha. Vagueava por uma cidade cinzenta completamente decadente, casas desabitadas, vidros partidos... nem um único carro circulava, só vento e papeis imundos.
Só me conseguia sentir desamparada, desprotegida, desprezada, desabrigada, sem ninguém.
Os meus maiores medos passavam por mim ou estavam sentados, injectando-se, masturbando-se, assustando-me, à beira da estrada por onde eu percorria.
Precisava de alguém que me protegesse, um abrigo.
O medo, daqueles homens era tanto, que corri, sem parar. Como se não me cansasse.
Ouvi gritos, vindos de perto. Era a próxima casa, do lado direito.
Entrei.
Deparei-me com o meu pai morto e eles a matarem a minha mãe.
Fiquei imóvel, sem falar nem reagir, completamente imóvel. Todos os sentimentos percorreram-me. Senti-me tão frágil, sem qualquer tipo de força para agir para o que quer fosse.
Não aguentei ficar ali.Corri, corri, corri.
Fugi de todos os que me queriam mal.
Cansei-me.
Fartei-me.
Não aguentei mais.
Mandei-me para o chão, fiquei deitada.
Desisti.
Todos apanharam-me, fizeram-me mal.
Queria morrer. Desaparecer.
Mas não, fiquei e sofri.
Levantei-me, já sem energia. Agarrei a faca mais próxima e espetei no coração.
Morri.
Acabou a dor e o sofrimento.
Acabou a vida.
(pesadelos, nao passa disso)
