domingo, 3 de abril de 2011

Vagueava...


    
Vagueava, sozinha. Vagueava por uma cidade cinzenta completamente decadente, casas desabitadas, vidros partidos... nem um único carro circulava, só vento e papeis imundos.
                Só me conseguia sentir desamparada, desprotegida, desprezada, desabrigada, sem ninguém.
                Os meus maiores medos passavam por mim ou estavam sentados, injectando-se, masturbando-se, assustando-me, à beira da estrada por onde eu percorria.
                Precisava de alguém que me protegesse, um abrigo.
                O medo, daqueles homens era tanto, que corri, sem parar. Como se não me cansasse.
                Ouvi gritos, vindos de perto. Era a próxima casa, do lado direito.
                Entrei.
                Deparei-me com o meu pai morto e eles a matarem a minha mãe.
                Fiquei imóvel, sem falar nem reagir, completamente imóvel. Todos os sentimentos percorreram-me. Senti-me tão frágil, sem qualquer tipo de força para agir para o que quer fosse.
Não aguentei ficar ali.
Corri, corri, corri.
                Fugi de todos os que me queriam mal.
                Cansei-me.
                Fartei-me.
                Não aguentei mais.
                Mandei-me para o chão, fiquei deitada.
                Desisti.
                Todos apanharam-me, fizeram-me mal.
                Queria morrer. Desaparecer.
                Mas não, fiquei e sofri.
                Levantei-me, já sem energia. Agarrei a faca mais próxima e espetei no coração.
                Morri.
                Acabou a dor e o sofrimento.
                Acabou a vida.

                            (pesadelos, nao passa disso)


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Meu pai...


Que raiva, não sei o que sinto neste momento. Sinto que não aproveitei nada, do que tinha para aproveitar contigo. Preciso de mais um abraço teu. Volta por minutos, dá-me um abraço, os teus mimos, chama-me ‘’pequenina’’ só mais uma vez, volta por favor. Sinto-me desesperada. Sinto que fui abandonada. Sinto-me sem rumo, sem ter alguém que me ajude quando cair, quando errar, quando estiver sozinha. Ainda nem acredito que te perdi de um momento para o outro. Como é possível? Meu pai, preciso tanto de ti. Sinto tantas lágrimas a caírem-me pelo rosto. Nunca chorei assim por nada. Acabaram de me contar, estou em choque. Senti que devia escrever, senti que devia relatar este momento tão mau. Sei que posso sempre contar contigo, estejas onde estiveres, estás presente. Não da mesma forma, e por isso vou errar muito mais do que erraria se cá estivesses. Sei que vou fazer tanta porcaria, tantos maus caminhos, tanta ingenuidade. E tu não estarás cá para me mostrar o caminho certo, mas me afastar das coisas más ou para me consolar depois de algo mau ter acontecido. Preciso tanto de ti. Eu nem consigo acreditar que nunca mais te posso tocar, falar, passear contigo. Parece que nada passa de um pesadelo, de onde acordarei em breve. Ainda me questiono se estarei mesmo a sonhar. Isto é surreal . Eu preciso tanto de ti. Quero acordar, e ver-te ao meu lado a dar-me as festas de bom dia que me davas, quero-te aqui e agora, volta por favor.

03 de Setembro de 2008