domingo, 3 de abril de 2011

Vagueava...


    
Vagueava, sozinha. Vagueava por uma cidade cinzenta completamente decadente, casas desabitadas, vidros partidos... nem um único carro circulava, só vento e papeis imundos.
                Só me conseguia sentir desamparada, desprotegida, desprezada, desabrigada, sem ninguém.
                Os meus maiores medos passavam por mim ou estavam sentados, injectando-se, masturbando-se, assustando-me, à beira da estrada por onde eu percorria.
                Precisava de alguém que me protegesse, um abrigo.
                O medo, daqueles homens era tanto, que corri, sem parar. Como se não me cansasse.
                Ouvi gritos, vindos de perto. Era a próxima casa, do lado direito.
                Entrei.
                Deparei-me com o meu pai morto e eles a matarem a minha mãe.
                Fiquei imóvel, sem falar nem reagir, completamente imóvel. Todos os sentimentos percorreram-me. Senti-me tão frágil, sem qualquer tipo de força para agir para o que quer fosse.
Não aguentei ficar ali.
Corri, corri, corri.
                Fugi de todos os que me queriam mal.
                Cansei-me.
                Fartei-me.
                Não aguentei mais.
                Mandei-me para o chão, fiquei deitada.
                Desisti.
                Todos apanharam-me, fizeram-me mal.
                Queria morrer. Desaparecer.
                Mas não, fiquei e sofri.
                Levantei-me, já sem energia. Agarrei a faca mais próxima e espetei no coração.
                Morri.
                Acabou a dor e o sofrimento.
                Acabou a vida.

                            (pesadelos, nao passa disso)